Michael Jackson – Um mito que se foi
Acredito que muitas pessoas tenham escrito sobre o cantor Michael Jackson, até por que no mundo das notícias a morte tem um peso maior que o da vida. Apesar de que ele soube estar na mídia e passou a ser uma figura muito querida por todos e odiada por muitos.

Sobre Michael
Michael Jackson nasceu em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana, o sétimo de nove irmãos. casou-se por duas vezes, sendo uma com a sua enfermeira e a segunda com a única filha de Elvis Presley, e teve 3 filhos ( Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II ).
Ele teve muitos problemas de saúde que o tornaram hipocondríaco e o maior de seus problemas, a mudança de cor de pele, é atribuída ao vitiligo (que muitos acreditam ter sido implantado por sua vontade e através da ciência moderna). Ele também admite que fez duas cirurgias plásticas no nariz e uma no queixo, com a intenção de ter uma covinha.

Carreira
Ele que obteve o sucesso cedo, junto aos irmãos, no grupo Jacksons Five e depois atingiu o status de Stars da música POP internacional. A discografia de Michael é impressionante e seus números sempre gigantescos.
Até a 2001, o cantor gravou outros oito álbuns solo, incluindo “Off the wall” (1979), produzido pelo lendário Quincy Jones, e “Thriller” (1982), que ficou 37 semanas consecutivas no primeiro lugar das paradas, com cerca de 60 milhões de cópias vendidas no mundo.

Escândalos
Envolvido em diversos escândalos, quase todos, ligados a pedofilia e com uma excentricidade enorme.
Michael Jackson comprou um rancho enorme e o chamou de Neverland (Terra do Nunca), dos contos de Peter Pan, e fez um parque temático particular, com direito a roda gigante, montanha russa e muitos outros brinquedos.
Entre os escândalos podemos destacar o protagonizadas por Michael Jackson, a mais significativa aconteceu em 2005, quando o cantor foi a julgamento após ser acusado de pedofilia e absolvido.
Morte
eu não vou falar na morte do mito, apenas me ater aos 50 anos que cantor tinha ao morrer








Michael havia deixado de ser pessoa humana tal como somos. Fazia tempo que se tornara mito. Não era mais sujeito da História. Era personagem de muitas estórias (aproveito a diferença conceitual aprendida com o amigo Rubem Alves). Mitos não têm eventos de vida explicáveis. Mitos servem para povoar nosso imaginário do jeito que os desejamos. Conhecer causas de morte só se aplica a seres biológicos, documentados no campo da Natureza. Tem de haver coleta de dados, discussão sobre nexos e conclusões à luz da Lógica. É assunto da Ciência. Mitos não existem para serem entendidos no jogo acadêmico das correlações causa-efeito.
Deste modo, a Medicina nada tem a falar sobre a morte de nosso Michael. Porque as Ciências Médicas não detêm métodos para desvelar significações de fenômenos existentes nas tramas simbólicas da cultura e do psiquismo humanos. Igualmente, não precisamos das interpretações dos ‘psis’ sobre este cantor cinqüentão, aparentemente fixado em traumas edipianos. Agradecemos pela boa intenção de suas eruditas falas e deixem nosso Michael sossegado (há especialistas que se põem a falar, mais pelas próprias demandas narcísicas do que para partilhar vivências com o povo).
Mitos são espantosas e deliciosas narrativas lendárias. Crenças que servem para lidarmos com nossas angústias existenciais – individuais ou coletivas. Mitos têm função estruturante nas vidas das pessoas e da humanidade. Para horror dos positivistas, não há entendimento sobre mitos na factualidade. Pelo contrário, é a livre imaginação que nos permite compreendê-los. Coisas para o estranho e profundo inconsciente freudiano e para a oculta e estrutural linguagem lévi-straussiana. Se os cientistas divulgarem as causas que tiraram a vida do corpo do Sr. Jackson, perderemos com isso. Então teremos ‘uma’ explicação. E perderemos o fascínio de termos ‘todas’ as explicações. Não poderemos mais projetar nossas muitas e inconfessáveis fantasias nele. Não o queremos descrito em ocorrências concatenadas. Basta que apenas médicos legistas e autoridades policiais saibam do sucedido sobre tal morte humana. Para o mundo, o Michael deve continuar sendo imaginado como inventado.
Já pensaram como ficarão frustrados os amantes do suicídio se comprovarem que ele morreu de causa natural, de uma doença? E como ficarão desconcertados os usuários de substâncias se souberem que ele não terminou a vida com overdoses? E que fato paralisante para repórteres não haver indícios de que ele tenha bolinado genitais de meninos! Que sem-gracice para a mente não poder haver brincadeiras com nossas imagens corporais, se o rosto dele tivesse uma definição comum! Que vulgar se a cor de sua pele parecesse sempre a mesma! Gostava mesmo de sorvetes? Como conseguia dançar daquele modo num corpo humano como estudado por anatomistas e fisiologistas? Foi abusado sexualmente pelo pai ou não? Teve casamentos com mulheres mantendo-se assexuado, homossexualizado, com episódios heterossexualizados, pedofilizado na carne, pedofilizado só na mente? Teria sido um brocha ou tinha viris ereções? Fazia sexo mesmo ou só sublimava? Bilionário ou arruinado? E se o considerarem um coitado, sendo mito, por conseqüência coitados somos nós…
Aconselho jamais procurarem confirmar essas suposições. Não ousem desvendar os mistérios que lhe atribuem. Não é posição emocional, do tipo de negação psicanalítica; nem posição política, do tipo alienação ideológica. É posição filosófica de salvação humana. É preciso que todas as coisas faladas sobre Michael nunca tenham acontecido, em nenhum lugar. Para que possam continuar acontecendo sempre, em todo lugar. O antigo mundo greco-romano era abundante em criações mitológicas. Em nossa sociedade urbano-industrial, das repetitivas tardes dominicais em shopping-centers, os mitos estão escassos. Portanto, abaixo as propostas de des-mitificações! Precisamos de mitos. Eles permitem expressarmos verdades da alma que não podem ser ditas de outra maneira. We are the world. Michael está vivo. Sirvam-se.
Egberto Ribeiro Turato