Cultos religiosos em trens urbanos é proibido
Esta semana uma liminar da justiça do Rio de Janeiro, proibiu o culto religioso nos trens urbanos da cidade, que são controlados pela concessionária Super Via. De acordo com a decisão, a SuperVia deve recolher aparelhos musicais e microfones dos pregadores. Até o fim da viagem, a aparelhagem será mantida na cabine. Do contrário, a concessionária está sujeita a multa diária de R$ 10 mil.
As igrejas evangélicas, colocaram a boca no trombone, dizendo que essa liminar é incostitucional e vai contra o direto de culto e que seria um preconceito contra os protestantes. Para se ter noção do teor das declarações de lideres da igreja evangélica, que é a maior utilizadora dessa metodologia de culto em meios de transportes, vamos ver algumas delas:
O teólogo Veracy Neves, administrador da Primeira Igreja Batista de Nova Iguaçu: “Ainda resiste a visão de que só a Igreja Católica tem direito a manifestações religiosas. Ninguém fala nada de procissão católica.”
Pastor Jorge Rabello, da Igreja Ministerial Conquistando Nações: “A mensagem tem que ser rápida e eficaz para tocar o coração e não enfadar.”
Alexandre Marques, pastor presbiteriano da Igreja Reformada Ecumênica: “Existem locais e formas de pregação que respeitem a liberdade de pessoas que não querem ouvir aquela mensagem. Elas também têm direito de viajar de trem em silêncio. É possível realizar atos religiosos em locais públicos em que não se grite, invada e nem se pratique coação contra ninguém. Já presenciei coisas absurdas no trem, como pessoas querendo arrancar guias do candomblé dizendo que são do demônio. Não se pode ferir o direito do outro.”
O que eu posso perceber com as declarações do administrador da primeira Igreja Batista é que ele quer comparar uma procissão católica, normalmente feita uma vez por ano, com divulgação diária da igreja em meios de transportes. Uma coisa é passar uma legião de pessoas rezando a sua porta a outra é você diariamente ter que ir ou retornar do trabalho ouvindo pessoas gritando o que você não pediu para ouvir.
Já a declaração do pastor Jorge Rabello é mais condizente, pois mesmo que seja gritando, se for breve e única, não incomodará as pessoas que tem outra crença ou que não estejam dispostas a ouvir. A mensagem com certeza atingirá a todos aqueles que estiverem com o coração aberto e a aceitarem, os demais não vai adiantar forçar que não vai acontecer.
Já o alexandre Marques foi super sensato e, com certeza, se fosse aplicada dessa forma a “igreja” não teria problema com os demais passageiros e nem geraria a antipatia por parte de algumas pessoas. Mas quem sou eu para determinar o que é certo e errado, somente acho justo que cada um tenha a sua liberdade e que sua privacidade não seja invadida.





