A vida moderna e a vida passada
A vida de uma pessoa conectada pode passar dos limites e tem horas que é necessário dar uma parada e viver a sua vida offline. Epa! Epa!! Epa!!! Como diria o Juvenal Antena, da novela Duas Caras, vida offline e vida online?? Não nós só podemos ter uma vida e a divisão do nosso tempo no micro e com os compromissos, afazeres e amigos é de nossa inteira responsabilidade.
Muitas pessoas estão se escondendo de uma vida com amigos, encontros e até namorado(a) para viver uma vida secundária e virtual, onde os amigos são virtuais e os relacionamentos também. Há um tempo atrás percebi que existem pessoas que por algum motivo, talvez timidez, medo de rejeição ou por causa da violência, estão ficando mais tempo que devem a frente do micro e essa possa ser uma mudança que a internet e a globalização estão trazendo para nossa realidade.

Imagem por barnoid
A questão profissional também pode ter um pouco de responsabilidade nessa mudança, já que estamos cada vez mais conectados e as profissões exigem cada vez mais que o profissional fique conectado e antenado com as novidades. E isso não é só no âmbito de tecnologia não, envolve até profissões mais tradicionais como advogados e vendedores.
O comércio online traz muita facilidade e comodidade também, poucas são as pessoas conectadas que ainda não fizeram a sua primeira compra online e depois dela não pensam em parar. Esse tipo de comércio é o que mais cresce no mundo todo e é um crescimento exponencial, muitas lojas ainda se mantém receosas, mas já iniciaram os projetos online, como é o caso das Casas Bahia que ainda relutam com a loja virtual e perdem mercado para as concorrentes por isso.
Tudo que a vida online traz de facilidade tem um preço e talvez ele seja caro demais para se pagar. Várias pessoas tem adquirido doenças neurológicas, reumatológicas, ortopédicas, oftalmológicas e psiquiátricas, como síndrome do pânico, hérnia de disco, cansaço muscular da visão, artrite, artrose e muitas outras, que antes eram menos encontradas na população. Muitas delas devido ao tempo que a pessoa fica sentada a frente do micro sem sair, exposta a uma posição inadequada, falta de exercícios, um posicionamento errado do monitor, uma cadeira ruim ou a todas elas juntas.
Podemos perceber também que o nível de stress aumentou de acordo com que as informações estão mais simples de serem encontradas e a velocidade dos acontecimentos consegue ser quase em tempo real, quando não é. A crise mundial, que estamos passando, pode nos mostrar exatamente o que estou escrevendo, pois tudo que acontecia em algum lugar do mundo levava reflexos em todos os outros países e a informação era dada em diversos meios nacionais e internacionais. O que mostra e demostra que a globalização é uma realidade que pode ser dura com um povo que nada fez e somente recebe os problemas gerados por outros povos.

Imagem por Pamela Machado
É preciso refletir e avaliar se não estamos dando muito valor a conectividade e esquecendo as coisas boas da vida, com sentar em um bar para conversar, ir a praia, meditar nas montanhas, conhecer o mundo (sem ser pelo Google Earth ou por fotos). Se você gostar de ciências exatas, calcule o tempo ou meça a porcentagem e veja que os amigos e a família ficaram de lado, a vida a frente do micro se tornou mais importante e você está na estatística dos nerds. Se gostar de ciencias humanas, veja como a sua vida passou e você não conheceu a história do mundo, a geografia do seu país e a cabeça dos amigos, porque ficou a frente do micro escondido.
Preste atenção, reflita e viva, pois a vida é uma só, que inicia no seu nascimento e termina com sua passagem para um outro lugar. Dela apenas levamos as experiências vividas e os amigos que encontramos ao longo do caminho.








